Preconceito
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Em pleno século 21, quem diria, as páginas esportivas andam recheadas de notícias sobre ofensas raciais em estádios de futebol pelo mundo afora. Estamos andando para trás?

Os artistas do samba, homenageado do Prêmio da Música Brasileira deste ano, também enfrentaram a barreira da intolerância e da estupidez há cerca de cem anos, quando este gênero musical ainda engatinhava. Parte da sociedade simplesmente virava a cara para essa manifestação cultural típica de negros e pobres.

“Madame diz que a raça não melhora, que a vida piora por causa do samba. Madame diz que o samba tem cachaça, mistura de raça, mistura de cor. Madame diz que o samba, democrata, é música barata sem nenhum valor”. São versos de “Pra que discutir com Madame”, de Janet de Almeida e Haroldo Barbosa, e não dão margem a qualquer dúvida sobre um certo pensamento da época.

O dia 30 de abril de 2014 marca o centenário de nascimento de um artista que cantou de forma simples as coisas simples da vida. A sua gente, o mar, a rotina dos pescadores, o vento. O vento que dá na vela. A vela que leva o barco. O barco que leva a gente. A gente que leva o peixe.

Dorival Caymmi foi essa brisa suave a soprar de forma inconfundível na canção popular. Falou de mulheres, amores e sua terra (fosse a Bahia natal ou a Copacabana que adotaria mais tarde). E fez isso com uma certa inocência e uma tal capacidade de encantar que é impossível ser indiferente à sua obra. Não foi por acaso que o Prêmio da Música Brasileira dedicou sua segunda edição a essa doce figura que Gilberto Gil descreveu acertadamente como um Buda Nagô.

Dorival já não está entre nós para comemorar esses cem anos. Mas seus filhos – Nana, Danilo e Dori – ouviram o chamado do vento e seguiram, com igual talento, a trilha do pai. Pertencem a uma linhagem nobre, carregam o sobrenome Caymmi. São herdeiros de uma quase divindade da nossa música.

Um dia verde e rosa
Um dia verde e rosa
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Foi em 28 de abril de 1928 que um grupo de sambistas (entre eles, gente como Cartola e Carlos Cachaça) fundou uma das escolas de samba mais populares do Rio de Janeiro e do país. Nascia a Estação Primeira de Mangueira.

As cores quem escolheu foi Cartola. Uma opção tão original quanto insólita, mas que, afinal, deu certo. Ninguém é capaz de pensar em outra coisa quando vê misturados o verde e o rosa.

A agremiação é berço de grandes compositores (como Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Nelson Sargento) e admirada por artista como Chico Buarque, Tom Jobim, Alcione, Wanderléa (que integra o Conselho do Prêmio da Música Brasileira) e Beth Carvalho (que este ano atua como consultora do PMB em seu tributo ao samba). Mas essa admiração já provocou ciúmes.

Certa vez, o compositor Hermínio Bello de Carvalho pediu ao portelense Paulinho da Viola para musicar uma letra que exaltava a Estação Primeira. Ele caprichou tanto que a canção se transformou num hino: era “Sei Lá, Mangueira”. Aí a rivalidade falou mais alto, o pessoal da Portela ficou meio chateado e Paulinho se viu numa saia justa.

O mal-estar, porém, não durou muito. Paulinho resolveu fazer um samba para a sua escola de coração. E depois de ouvir “Foi um Rio que Passou em Minha Vida” nenhum portelense teve mais qualquer motivo para reclamar. Mas isso já é uma outra história.