Quem ri somos nós

Duas gerações da nossa música, duas das vozes mais extraordinárias deste país e duas pérolas do repertório de um dos maiores músicos brasileiros. No palco do 16º Prêmio da Música Brasileira, em 2005, ingredientes perfeitos para celebrar Baden Powell.

Mago do violão e dos afro-sambas, Baden – que infelizmente nos deixara cinco anos antes – certamente aprovaria a divisão perfeita, a emissão limpa e a cumplicidade que Leny Andrade e Mônica Salmaso esbanjaram em “Vou Deitar e Rolar” (dele e de Paulo César Pinheiro) e “Tem Dó” (parceria com Vinícius de Moraes).

Lago sereno
Lago sereno
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Ele, que tinha saudades da Amélia, também deixou muita saudade. Poeta, ator, compositor e radialista, Mário Lago nos deixou em 2002, após nove décadas de uma vida que Gilberto Gil celebrou na bela canção “O Mar e o Lago”: “Rugas no rosto moreno, ondas no lago sereno (…) A alma bem resolvida, a embarcação ancorada”.

Neste ano em que o Prêmio da Música Brasileira, ao celebrar seus 25 anos, homenageou o samba, cabe lembrar clássicos desse gênero criados por Lago e que marcaram época. São dele canções como “Ai Que Saudades da Amélia” e “Atire a Primeira Pedra”, as duas em parceria com Ataulfo Alves, além da marchinha “Aurora”, com Roberto Roberti, que ganhou o mundo na voz de Carmen Miranda. Em dupla com Custódio Mesquita, ele ainda foi responsável pelo sucesso “Nada Além”.

Tim Maia, irresistível

Do Leme ao Pontal e nos palcos de norte a sul do país, Tim Maia desfilou sua irresistível irreverência ao longo de uma vida que terminou precocemente. “Vale tudo” não foi apenas um grande sucesso de sua carreira, mas uma expressão de estilo. E agora se pode conhecer melhor esse fenômeno chamado Tim Maia com o filme dirigido por Mauro Lima (inspirado na biografia escrita por Nelson Motta), atualmente em exibição nos cinemas do Brasil inteiro.

Cantor de um talento e uma musicalidade indiscutíveis, Tim era também a expressão de uma certa malandragem associada à capacidade de se meter em situações por vezes tragicômicas. Brincava, brigava, falava o que queria, reclamava da qualidade do som em pleno show, sabia ser engraçado e mordaz. Jamais passava despercebido.