10º PMB – 1997 – Rita Lee

08 dezembro 2015,   By ,   0 Comments

Rita Lee

A mais completa tradução do rock no Brasil, a paulistana Rita Lee formou grupos na adolescência, mas sua carreira profissional teve início com Os Mutantes. Completado pelos irmãos Arnaldo (dias) Baptista e Sérgio Dias (Baptista), o trio teve um papel decisivo na Tropicália, contribuindo para o sotaque pop e psicodélico que o movimento encabeçado por Caetano, Gil e Tom Zé procurava.

Em 1967, o grupo ganhou notoriedade nacional acompanhando Gilberto Gil na apresentação de “Domingo no Parque” no III Festival da Música Popular Brasileira, na TV Record. Contratados pela Philips, Os Mutantes lançaram seu primeiro álbum em 1968, mantendo a mistura de pop com ritmos regionais brasileiros, num repertório com temas originais ou de Gil, Caetano, Jorge Ben Jor e Tom Zé. O vanguardismo desses primeiros discos, lançados entre 1968 e 1972, também foi reconhecido a partir dos anos 1990 por artistas do rock anglo-americano como Kurt Cobain, David Byrne e Beck.

Rita Lee deixou os Mutantes em 1973, mas continuou roqueira e irreverente e avançou ainda mais, como provam seus primeiros discos solo, com sucessos como “Mamãe natureza”, “Menino bonito”, “Jardins da Babilônia” e “Agora é moda”. No entanto, foi a partir da parceria e do casamento com o tecladista e guitarrista Roberto de Carvalho, em 1978, que ela se reinventou e atingiu o status de superestrela. Desde então, abrindo ainda mais seu leque de referências, o pop de Rita flerta com boleros, marchinhas carnavalescas, bossa nova, dance music e o que mais estiver ao seu alcance. Esse “rockarnaval” marca sucessos como “Lança perfume”, “Baila comigo”, “Mania de você”, “Chega mais”, “Doce vampiro”, “Bem-me-quer” e “Caso sério”.

Ao longo dos anos, Rita também estreitou parcerias com Gilberto Gil (na turnê de 1977 que virou o disco ao vivo Refestança), João Gilberto (convidada pelo papa da bossa nova para cantar num especial de TV) e Ed Motta (parceiro em sucessos como “Colombina” e “Fora da lei”). Ignorando fronteiras, com humor e musicalidade, a roqueira Rita Lee criou clássicos incorporados ao cancioneiro da MPB.

“Baby, baby
Não adianta chamar
Quando alguém está perdido
Procurando se encontrar
Baby, baby
Não vale a pena esperar
Oh! Não!
Tire isso da cabeça
E ponha o resto no lugar”