1º PMB – 1988 – Vinícius de Moraes

08 dezembro 2015,   By ,   0 Comments

Vinícius de Moraes

Em 66 anos de vida, Vinicius de Moraes foi muitos e único.

Poeta, diplomata, jornalista, crítico de cinema, compositor, cantor, bon vivant, carioca da gema e cosmopolita, o “branco mais preto do Brasil”, com sua lírica natural e inovadora, virou uma referencia para a canção popular brasileira moderna.

O encontro em 1965 com Tom Jobim, então o jovem compositor escalado para musicar a peça Orfeu da Conceição e dois anos depois o seu parceiro e arranjador no disco de Elizabeth Cardoso Canção do amor demais, foi fundamental para o surgimento da bossa nova.

No entanto, em termos de estilo, a produção musical de Vinicius é muito maior e abrangente. Começa antes de Jobim (nos anos 1930, escreveu suas primeiras letras para músicas dos irmãos Haroldo e Paulo Tapajós) e prossegue influente com tantos outros parceiros, como Carlos Lyra, Moacir Santos, Adoniran Barbosa, Baden Powell (com quem, no início dos anos 1960, fez a série de afro-sambas que abriu novas vertentes para a MPB ao utilizar ritmos e temas do candomblé), Edu Lobos, Francis Hime, Chico Buarque e Toquinho (este, também companheiro nos palcos da última e intensa década de vida). A obra musical de Vinicius e parceiros é enorme, clássicos que continuam sendo cantados, gravados e regravados por centenas de intérpretes no Brasil e mundo afora, incluindo as canções com letra e música apenas dele, como “Serenata do adeus” e “Medo de amar” – ambas lançadas no seminal disco de Elizeth Cardoso, em 1958.

Ao trocar a poesia pela música popular, Vinicius foi questionado por alguns de seus colegas das letras, que torciam o nariz para aquela atividade “menor”. Em 1969, perdeu o posto no Itamaraty por não se alinhar ao regime militar que desgovernava o país desde 1964. No entanto, vida e obra provaram que ele tinha feito as escolhas certas.
No século XXI, Vinicius não para de encantar, cada vez mais presente e influente. Seja na música ou na poesia (redescoberta nos últimos anos), passou ao largo das disputas estéticas e ideológicas que marcaram o setor entre as décadas de 1950 e 1970 e se impôs por sua força lírica.

“Existiria a verdade
Verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo iguais a você”