23º PMB – 2012 – João Bosco

07 dezembro 2015,   By ,   0 Comments

Revelado no início dos anos 1970, João Bosco logo conquistou seu lugar no disputado campo de cantores, compositores e violonistas da MPB com um estilo reconhecível aos primeiros acordes. A estrela fonográfica como cantor, por sinal, não podia ser mais emblemática: em 1972, “Agnus sei” (parceria com o letrista Aldir Blanc) inaugurou a série Disco de Bolso criada pelo semanário O Pasquim. A canção gravada por Bosco era o lado B do compacto em que Tom Jobim também apresentava ao Brasil e ao mundo o clássico instantâneo “Águas de março”.

No mesmo ano do aval jobiniano, Elis Regina, mais uma personagem fundamental na carreira do compositor, gravou outra música da parceria Bosco & Blanc, “Bala com bala”. Após esse duplo batismo, a musicalidade de João Bosco não parou de crescer e aparecer.

Nascido em Ponte Nova, Minas Gerais, a música o acompanhou desde a infância. Aos 4 anos, já mostrava jeito para o canto na igreja frequentada pela família. Aos 12, ganhou um violão e formou um grupo de rock, X-Gare. Em 1967, morando em Ouro Preto, onde começou o curso de engenharia sem largar o violão, conheceu Vinicius de Moraes, com quem chegou a fazer algumas canções.

Descendente de libaneses por parte de pai, em sua formação misturou o rico folclore mineiro que embalou sua infância com o nascente rock e os boleros que ouviu na adolescência, a bossa nova e o jazz em que passou a mergulhar no início dos anos 1960, além da influência de colegas de geração como Milton Nascimento e Gilberto Gil. Desse caldo, nasceu sua singularidade, que, na primeira década de carreira, também teve a contribuição decisiva do parceiro carioca Aldir Blanc, que conheceu em 1970. Já a partir do final dos anos 1980, Bosco soube se reinventar sozinho ou com novos parceiros, como Abel Silva, Capinam, Martinho da Vila, Waly Salomão, Antonio Cícero, João Donato e Francisco Bosco, entre outros.

Tão bom quanto o compositor é o cantor e violonista, como provam os quase trinta discos que lançou nas últimas quatro décadas. Entre eles, o CD e DVD com o registro do show com Alcione, Leila Pinheiro, Mariana Aydar, Péricles e Banda Mantiqueira que rodou o Brasil em 2012, na turnê do 23o Prêmio da Música Brasileira.

“Responderei não!
Dominus dominium juros além
Todos esses anos Agnus Sei que sou também
Mas ovelha negra me desgarrei
O meu pastor não sabe que eu sei
Da arma oculta na sua mão
Meu profano amor eu prefiro assim
À nudez sem véus diante da Santa Inquisição
Ah, o tribunal não recordará
Dos fugitivos de Shangri-lá
O tempo vence toda a ilusão”