24º PMB – 2013 – Tom Jobim

07 dezembro 2015,   By ,   0 Comments

Ele é automática e justamente associado à bossa nova, mas a obra de Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim não se prende ao estilo que ajudou a criar. Além do samba estilizado que ultrapassou as fronteiras do Brasil e rodou o mundo, Jobim mostrou suas ambições sinfônicas (revelando a paixão pela obra de Villa-Lobos), fez choro, modinha e jazz (e teve seu repertório adotado por alguns dos maiores expoentes do gênero, de Miles Davis a Ella Fitzgerald). Música pop no seu sentido mais amplo, como as centenas de regravações ao redor do mundo não param de confirmar.

Carioca nascido na Tijuca e criado desde 1 ano no então areal que era Ipanema, Jobim encantou-se pelo piano na adolescência. Tentou ser concertista clássico, mas a professora percebeu logo que ali estava um compositor de carreira promissora. Antes de abraçar a música como profissão, entro na faculdade de arquitetura e chegou a estagiar num escritório do ramo. Não aguentou mais que um ano, trocando as pranchetas e os cálculos pela vida noturna de pianista em bares e boates da Zona Sul carioca. Em 1952, foi contratado como arranjador pela gravadora Continental, passando em seguida para a Odeon, ao mesmo tempo em que se dedicava à composição.

Nesse início dos anos 1950, começou a ter suas músicas gravadas e, em 1954, emplacou seu primeiro sucesso, “Tereza da Praia”, parceria com Billy Blanco gravada em duo por Dick Farney e Lúcio Alves. Também com Blanco, no mesmo ano lançou a “Sinfonia do Rio de Janeiro”. Mas foi a partir do encontro com Vinicius de Moraes, em 1956, na peça musical “Orfeu da Conceição”, que a carreira de Tom decolou de vez. Dois anos depois, a dupla foi além no disco de Elizeth Cardoso Canção do amor demais, estabelecendo o padrão melódico e poético da moderna canção brasileira que se instaurou com a bossa nova.

Conversador nato, Jobim teve muitos outros parceiros, numa lista que incluiu Marino Pinto, Dolores Duran, Newton Mendonça, Aloysio de Oliveira e Chico Buarque. Foi também letrista excepcional, antes, durante e depois do encontro com Vinicius, compondo música e letra de obras-primas como “Águas de Março” (e sua versão para o inglês, “Waters of March”, na qual, num preciosismo estilístico, evitou o uso de palavras de raiz latinas, privilegiando as anglo-saxãs), “Samba do avião”, “Fotografia”, “Borzeguim”, “Lígia”, “As praias desertas”, “Luiza”, Chansong”, “Two kites”e “Passarim”.

Só ou com seus parceiros, Tom Jobim tornou-se o compositor brasileiro mais gravado no mundo.

“É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão

É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é um ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto”