9º PMB – 1996 – Milton Nascimento

08 dezembro 2015,   By ,   0 Comments

Milton Nascimento

O carioca mais mineiro do Brasil, Milton Nascimento fundiu com perfeição nossas tradições musicais e referências do jazz, ritmos latino-americanos e pop. O resultado é único, de apelo universal, tanto que já nos primeiros anos de carreira a arte do cantor e compositor começou a ganhar o mundo.

Nascido no Rio, mas criado em Três Pontas (Minas Gerais), ele começou na música desde a adolescência, tocando em grupos de baile de sua cidade ou de bossa nova e jazz em Belo Horizonte no início dos anos 1960. Em 1967, à revelia do autor, o cantor Agostinho dos Santos inscreveu três composições de Milton no Festival Internacional da Canção daquele ano. Entre elas estavam “Travessia” (parceria com Fernando Brant, classificada em segundo lugar) e “Morro Velho” (que ficou com o sétimo lugar), proeza que lhe garantiu o contrato para o seu primeiro disco, Milton Nascimento, com arranjos e piano de Luiz Eça. Um ano depois, com o aval de Eumir Deodato e Quincy Jones, entre outros, gravou nos Estados Unidos o álbum Courage, o primeiro de seus muitos projetos internacionais.

Compositor ao mesmo tempo sofisticado e popular, dono de um dos timbres vocais mais expressivos do Brasil, Milton sempre gostou de trabalhar em grupo, cercando-se de muitos parceiros (além de Brant, nos primeiros anos os letristas mais frequentes foram Ronaldo Bastos e Márcio Borges), instrumentistas e arranjadores. Gente que formou o coletivo avant la lettre Clube da Esquina (também o nome de uma canção em parceria com os irmãos Márcio e Lô Borges e de dois discos duplos e coletivos, lancados em 1972 e 1976).

Sem sede ou estatuto, esse informal Clube reuniu ainda, entre outros, Wagner Tiso, Robertinho Silva, Beto Guedes, Toninho Horta, Nelson Ângelo, Nivaldo Ornelas, Luiz Alves, Naná Vasconcelos, Novelli e Flávio Venturini. Através dos anos, Milton também desenvolveu trabalhos com grandes nomes da MPB (Elis, Gil, Chico, Caetano, entre outros), do jazz e do pop, como Wayne Shorter (o disco Native dancer, lançado em 1975 e desde então uma referencia no encontro de MPB e jazz), Herbir Hancock, Hubert Laws, Ron Carter, Par Metheny e Jon “Yes” Anderson.

“Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar”