Tom, o escrevedor de cartas

12 dezembro 2012,   By ,   0 Comments

Tom Jobim  tinha a mania de escrever cartas. As correspondências eram frequentemente trocadas com os amigos Vinicius de Moraes e Chico Buarque. Nas cartas, Tom chamava Vinicius de poetinha e era chamado de Tomzinho. Segundo a filha de Vinicius de Moraes, Luciana de Moraes, a quantidade de cartas trocadas pelos dois era enorme e faz parte do livro “Querido Poeta, Correspondência de Vinicius de Moraes”, lançado em 2003: “São situações engraçadíssimas vividas pelos dois, que poucos conheceram”, disse Luciana para o site do Estadão.

Em uma das cartas, Tom escreveu, enquanto esperava a gravação do CD com Frank Sinatra em Los Angeles, ao amigo Vinicius e se definiu como “um infeliz paralisado num quarto de hotel, esperando o chamado para a gravação, naquela astenia física que precede os grandes acontecimentos, vendo televisão sem parar e cheio de barrigose”, e assinou: “Astênio Claustro Fobim”.


A mania de cartas virou música. Vinicius de Moraes escreveu a canção “Carta ao Tom 74” que foi musicada por Toquinho. Vinicius fala em tom saudoso do endereço da casa em que Tom morou durante um tempo em Ipanema, e onde compôs diversas músicas ao lado do amigo, entre elas as canções da peça “Orfeu da Conceição”. Com saudades de Tom, Vinicius disse que escreveu a carta, mas nunca a entregou: “Eu falei para o Toquinho que estava na hora de escrever uma segunda carta para ele, lembrando os bons tempos da Bossa Nova e se chama ‘Carta ao Tom 74’.” Em resposta, Tom Jobim criou “Carta do Tom”, uma paródia em parceria com Toquinho e Chico Buarque, em 1977, que fala das mudanças do bairro de Ipanema, que, segundo ele ficou mais perigoso, e na arquitetura da cidade, que encobriram a sua vista do Cristo Redentor.

 

 

Tom Jobim também escreveu a música “Carta ao Chico”, em 1989, em que elogia o amigo: “Chico Buarque meu herói nacional, Chico Buarque gênio da raça, Chico Buarque salvação do Brasil, … Ó, Francisco, nosso querido amigo”.

Na capa do CD “Tom Canta Vinicius”, o compositor homenageia os 10 anos de morte do companheiro musical e amigo com um trecho escrito à mão: “Meu Vinicius de Moraes, não consigo te esquecer, quanto mais o tempo passa, mais me lembro de você. Cadê meu poetinha? Cadê a minha letra, cadê? E morro neste piano de saudades de você”.