Jobim, Gonzagão e dois sabiás

13 dezembro 2012,   By ,   0 Comments

Não existem dois sabiás que cantem da mesma maneira. Assim também é na música. E o sabiá – ave que é símbolo do Brasil – inspirou dois ilustres compositores brasileiros. Um é Tom Jobim, o homenageado da próxima edição do Prêmio da Música Brasileira. Outro é Luiz Gonzaga que, neste dia 13 de dezembro, comemoraria cem anos.

Cada um cantou “Sabiá” à sua maneira. A mais antiga das músicas é a romântica “Sabiá” de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, gravada pela primeira vez em 1951 pelo Rei do Baião. A música faz um apelo ao sabiá, já que ele anda pelo mundo, que tanto já voou, e já que ele fala aos passarinhos, pra ele aliviar a dor do compositor e dizer por onde o seu amor anda. Essa canção foi sucesso total na época de seu lançamento e virou um dos muitos clássicos de Seu Lua – como era carinhosamente chamado Luiz Gonzaga. “Sabiá” é um clássico do cancioneiro brasileiro. Já foi regravada por diversos artistas incluindo Elba Ramalho e Geraldo Azevedo.

Diferente da canção de Seu Luiz, “Sabiá”, letra de Chico Buarque e música de Tom Jobim, não foi muito bem recebida na época de seu lançamento. A música foi extremamente vaiada na sua primeira apresentação pública no III Festival Internacional da Canção de 1968, no Maracanãzinho. Segundo o jornalista Humberto Werneck, a vaia foi a mais sonora já acontecida em toda a história dos festivais de música popular. A explicação para esse fenômeno, segundo ele, é que “Sabiá” estaria desvinculada da realidade nacional da época. Mas a minoria que aplaudiu viu na música uma nova versão da “Canção do Exílio”, o poema de Gonçalves Dias que dizia: “minha terra tem palmeiras, onde canta o Sabiá; as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”.

 

Apesar das controvérsias em torno da canção, “Sabiá” foi premiada e virou um clássico da dupla Tom e Chico, sendo regravada depois inúmeras vezes. Tom também usou em algumas composições o canto do sabiá, e em homenagem ao grande amigo, Chico Buarque usou do mesmo artifício na música “Paratodos” colocando uma flauta imitando o canto do passarinho mais querido de Jobim.