Tom Jobim: infância numa Ipanema inesquecível

13 novembro 2012,   By ,   0 Comments

378 “Ah, a minha infância foi realmente muito boa!” Foi assim que Tom Jobim falou sobre o seu tempo de menino, no livro “3 Antonios e 1 Jobim” (1993). Ele nasceu na Tijuca mas logo criança já estava pelas areias de Ipanema, onde sua família foi morar. E areia era o que mais existia por ali naquela época. “A paisagem era de areia e, às vezes, em cima de uma duna ou outra havia uma casa. Aí, já botavam aquelas tábuas embaixo dos carros porque os carros ficavam atolados.”

Pipa, jacaré e pescaria

Tom viveu num Rio que não existe mais. Nos momentos de lazer, se divertia na Lagoa Rodrigo de Freitas. “Eu caia na Lagoa entre as ruas Vinicius de Moraes e Joana Angélica. A gente nadava até aqui, na altura da Fonte da Saudade. A gente pegava jacaré, a água limpa, muito peixe”. Pescaria? Era com ele mesmo!  “Passava horas de uma noite, pescando e batendo papo na Pedra do Arpoador. Peixes enormes! E de manhã, quando a gente ia à praia, tinha medo de cair na água por causa do tamanho dos peixes que a gente via”.

Andava de bicicleta com os amigos e soltava pipa. “A gente amarrava a pipa numa arvorezinha, ia tomar lanche. Voltava e a pipa continuava lá, paradinha, no vento. Todo mundo se conhecia, todo mundo era amigo. Essa infância em Ipanema foi inesquecível para mim”, lembrou no livro.


A música

O compositor perdeu o pai muito cedo, tinha apenas oito anos. Jorge de Oliveira Jobim era escritor e poeta e a mãe, Nilza Brasileiro de Almeida Jobim, professora e diretora do Colégio Brasileiro de Almeida, em Copacabana. “Lá em casa não tinha piano, não tinha nada disso!” Mas seus dois tios tocavam violão. “E assim  fui me aproximando mais pela música. Depois que minha mãe fundou o colégio, ela alugou um piano velho alemão e contratou o maestro Hans Joachim Koellreuter para me dar as primeiras aulas.Começou também tocar gaita e se arriscar ao violão.  “O piano ficava numa garagem fria, de cimento, as vezes, eu deitava ali só de calção. Dormia por ali por horas!”

* Foto: Tom e sua mãe, reprodução do Instituto Tom Jobim