Sobrenome: alegria

08 maio 2014,   By ,   0 Comments

No clássico pot-pourri de sambas eternizado no show “Dois na Bossa”, ao lado de Elis Regina, Jair Rodrigues cantava um verso de Cartola e Elton Medeiros que parecia feito por encomenda: “a sorrir eu pretendo levar a vida”. Assim foi. Difícil não associar Jair à imagem da alegria. E quando cantava a tristeza, dizia: “por favor, vá embora”.

Vê-lo chorar num palco, só se fosse de felicidade. Aconteceu em 2006, quando o Prêmio da Música Brasileira lhe prestou merecida homenagem. Dizendo que era o dia mais feliz de sua vida, Jair não conteve as lágrimas. E nos emocionou a todos. O artista de origem humilde, que começou a carreira como crooner no interior de São Paulo e participou de programas de calouros na televisão, era ali o astro-rei – o centro das atenções no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

O pranto rápido e emocionado durou pouco. Saiu em disparada. A lembrança que ficou do resto daquela noite e de toda a sua carreira foi a de um artista risonho, que despertava ternura e simpatia, interpretava cada canção com alma.

O samba e a música brasileira ficam mais pobres – e tristes – sem ele.