Clara Guerreira

12 agosto 2014,   By ,   0 Comments

Na 20ª edição, o Prêmio da Música Brasileira homenageou a grande cantora Clara Nunes que hoje completaria 72 anos. A premiação passou por um momento difícil, em 2009 quando ficou sem patrocínio, mas venceu e demonstrou o mesmo espírito guerreiro de sua homenageada. Salve Clara!

Abaixo, um trecho do livro “25 Anos do Prêmio da Música Brasileria”, escrito por Antônio Carlos Miguelo jornalista conta como a 20ª edição do PMB conseguiu vencer os obstáculos e se consagrar como a maior premiação da música brasileira.

“No início de 2009, surpreendido pelo cancelamento do patrocínio da empresa que o apoiara nos seis anos anteriores, Zé Maurício Machline cogitou cancelar o prêmio. Mas, com 80% dos discos avaliados e um recorde de inscrições, totalizando 946 trabalhos, o idealizador e diretor do evento resolveu partir para a produção independente. Assim, com recursos próprios e contando com o trabalho voluntário de artistas, técnicos, jurados e demais envolvidos na produção, a entrega dos troféus e o tributo a Clara Nunes foram realizados no dia 1º de julho, no Canecão, mais uma vez com uma bela festa e um grande elenco – no palco e na plateia.

Parceira fiel do evento, a atriz Fernanda Montenegro foi mais uma vez a apresentadora da premiação, dessa vez acompanhada dos atores Marcello Antony e Aloísio de Abreu. No texto de abertura comentou as dificuldades enfrentadas: “Este ano o prêmio não teve patrocínio, ah, aaaahhhh, mas nós estamos aqui. Por que nós estamos aqui? Porque queremos, porque somos artistas, amigos e porque temos a melhor música do mundo”. Palavras confirmadas pelo elenco também voluntário, que abriu mão de seus cachês, mas não de subir ao palco para reverenciar a arte de Clara Nunes. Com arranjos de Rildo Hora, o tributo foi aberto pela cantora  Fabiana Cozza, então uma das revelações do samba de São Paulo, que interpretou “Um ser de luz”, acompanhada por um quarteto de cordas só de mulheres. Em seguida, alternando-se com o anúncio dos vencedores em cada categoria, subiram ao palco Maria Bethânia (“Contos de areia”), João Bosco e Zélia Duncan (“Nação”), Ney Latorraca e Alessandra Maestrini (apresentando um trecho do espetáculo “Brasileiro profissão esperança”, que Clara fez ao lado de Paulo Gracindo, com canções de Dolores Duran e Antônio Maria), Mariana Aydar, Leandro Sapucahy e Velha Guarda da Portela (“Portela na avenida”), Alcione (“Sem companhia”), Lenine & João Cavalcanti (“O mar serenou”), Emílio Santiago (“Alvorecer”), Zeca Pagodinho (“Menino Deus”) e Arlindo Cruz, Altay Veloso & Bateria da Portela (“Mineira”).

Se alguém ainda tinha dúvida da representatividade do Prêmio da Música Brasileira junto à classe artística, a sua 20ª edição deu fim à qualquer suspeita.

Na entrega dos prêmios, com três troféus cada, Zeca Pagodinho e Chico César foram os principais vencedores da edição. O carioca levou o de Canção do Ano (“Uma prova de amor”) e, na categoria Samba, os de Cantor e Álbum (Uma prova de amor), enquanto o paraibano,

na Regional, recebeu os prêmios de Cantor e Disco (Francisco, forró y frevo) e também o de Projeto Visual (criação de Adams Carvalho para Francisco, forró y frevo).

No pelotão com dois troféus, ficaram Milton Nascimento (em MPB, como Cantor e Álbum, por Novas bossas, que gravou com o Jobim Trio), Spok Frevo Orquestra (em Instrumental, como melhor Grupo e Álbum, por Passo de anjo ao vivo) e Lenine (em Pop/Rock, como melhor Cantor e Álbum, por Labiata).

Entre as surpresas, o prêmio de Cantora de MPB para Áurea Martins (com o disco Até sangrar), fazendo justiça à grande e veterana intérprete carioca, então esquecida pela mídia. Outra foi o de Revelação para Zabé da Loca, uma tocadora de pífano pernambucana então aos 84 anos.

Mais duas provas de superação, reafirmando o perfil também guerreiro do Prêmio no ano de Clara Nunes”.