Flor do Lácio, sambódromo…

20 maio 2014,   By ,   0 Comments

A certa altura do texto que preparou para apresentar o homenageado do Premio da Música Brasileira deste ano, Zélia Duncan diz: “O samba enriquece outros gêneros, fica junto e misturado, é generoso, sábio, brincalhão”. Nessa brincadeira, cabe lembrar “Língua”, de Caetano Veloso, fazendo paródia e rima: é o samba-rap, meu irmão.

E por que recordar justamente essa canção? Porque o calendário nos mostra que o 21 de maio é o Dia da Língua Nacional. E foi nessa canção, lançada no disco “Velô”, de 1984, que o compositor baiano fez uma saborosa declaração de amor ao próprio idioma, misturando samba, rap, prosódias, sotaques daqui e d’além-mar, sintetizando num verso a delícia de sentir sua língua “roçar a língua de Luís de Camões”.

Em letra e música, Caetano funde o novo e o antigo, a gíria e o vocabulário mais erudito, a então novidade emergente do rap (com sua ênfase na palavra e no ritmo) e a tradição antenada do samba (que também contagia pelo texto e pelo balanço).

E o lance final, arrematando com imensa categoria: convidou a gravar com ele Elza Soares, uma cantora capaz de adicionar pitadas de jazz, funk, rap e o que mais vier e puder, sem perder o tempero do melhor samba.

Desse caldeirão saiu uma “Língua” deliciosa. Recorde com a gente!