A nossa bossa

12 maio 2014,   By ,   0 Comments

Bossa nova é, essencialmente, samba. Com uma certa influência do jazz, mas samba. E o compositor Carlos Lyra tem muito a ver com isso. Pertence ao grupo seminal da bossa nova, ao lado de músicos como Roberto Menescal, Billy Blanco, João Gilberto e Tom Jobim. E foi quem anunciou, em letra e música, sem rodeios, essa transformação:

Pobre samba meu
Foi se misturando
Se modernizando
E se perdeu
E o rebolado, cadê?
Não tem mais
Cadê o tal gingado que mexe com a gente?
Coitado do meu samba, mudou de repente
Influência do jazz

Embora a letra seja quase um lamento e, ao final, diga ao samba que volte pro morro e peça socorro onde nasceu, não há por que lamentar. A tal bossa nova ganhou o mundo e projetou a música brasileira de uma forma como nunca se viu. E Carlos Lyra, que neste 11 de maio completa 78 anos, seguiu essa trilha com brilho, criando sucessos, produzindo pérolas da canção brasileira, entre elas ”Minha Namorada”, “Você e Eu”, “Coisa Mais Linda” e “Se É Tarde, Me Perdoa”.

Lyra, nessa longa e brilhante carreira, fez sambas de todos os tipos – com ou sem a influência do jazz. Porque, afinal, a essência do samba é a mistura. E o mais brasileiro dos ritmos exibirá toda a sua diversidade ao ser homenageado no 25º Prêmio da Música Brasileira. Nesse imenso caldeirão, cada ingrediente tem sua importância e o seu valor. É assim que às vezes surge um samba-jazz, um samba-reggae, até um “samba-rock, meu irmão”.

Mas, no final, o que fica no paladar e faz vibrar o corpo e a alma é o tempero. E essa bossa é nossa. Toda nossa.