Turnê do 26º PMB tem início arrebatador

10 dezembro 2015,   By ,   0 Comments

Show em homenagem a Maria Bethânia começa em Porto Alegre com casa cheia e artistas em estado de graça

Não poderia ter começado melhor. A estreia da Turnê do 26º Prêmio da Música Brasileira – Homenagem a Maria Bethânia, no dia 8 de novembro, em Porto Alegre/RS, aconteceu num Auditório Araújo Vianna lotado, para uma plateia que vibrou a cada apresentação e chegou ao êxtase com a entrada da estrela da noite. Bethânia vestia um reluzente modelo dourado, que refletia no seu semblante toda a emoção da homenagem. São cinco décadas de carreira celebradas num espetáculo que reúne um repertório representativo desta trajetória de importância irrefutável na história da música brasileira.

Cinco intérpretes se alternam em números cada qual mais significativo na reverência a Bethânia. No roteiro e direção precisos de José Maurício Machline, idealizador do Prêmio da Música Brasileira e fã inconteste desta grande intérprete, a escolha de cada um dos artistas do tributo aconteceu segundo critérios de identificação entre artista e repertório.

Coube a Zélia Duncan o primeiro contato com o público. E a cantora, de voz potente e timbre forte, encarou o desafio na elegância peculiar de um longo preto, que contrasta lindamente com o cenário metalizado. O painel no fundo do palco tem, ao longo do espetáculo, projeções com referências ao repertório da cantora ao lado de imagens emblemáticas de uma carreira de 50 anos que certamente remete também à memória afetiva de públicos de várias idades.

Entre uma canção e outra, Zélia deu o tom da emoção da estreia da turnê. Ela colocou Porto Alegre literalmente na dança ao citar ao nome da cidade no meio da letra de “Baila Comigo” (Rita Lee). Começou com “Rosa dos Ventos” (Chico Buarque), seguida por “Esotérico” (Gilberto Gil); veio a canção de Rita Lee num medley com Shangrilá (Rita Lee e Roberto de Carvalho) e o seu fecho com “Vida” (Chico Buarque).

O próximo a entrar foi Arlindo Cruz. Ele, que foi revelação no grupo Fundo de Quintal e há vários anos tem uma popularíssima trajetória solo, lembrou um pouco a história do PMB. Disse que ele é importante na medida em que a cada edição engrandece mais ainda a música do País. E ainda, de quebra, “neste ano celebra o repertório magnífico de Bethânia”, nas suas palavras.

E como Arlindo significa samba, ele veio com “Apesar de Você” (Chico Buarque), “Rainha Negra” (Moacyr Luz e Aldir Blanc), “Reconvexo” (Caetano Veloso) e “Sonho Meu” (Ivone Lara), na qual ele não apenas se levanta como também sacode a poeira.

A chegada de João Bosco é o que pede a tradição. Com “É de Manhã” (Caetano Veloso) seu canto é mais do que uma conversa com a plateia. Antes de “Memória da Pele”, que ele compôs com Waly Salomão para a própria Bethânia gravar, Bosco conta essa história. Vai de “Maria + Rio de Janeiro” e encerra com “Negue” (Adelino Moreira e Enzo de Almeida).

Um breve duo com Bosco traz Camila Pitanga, exuberante num longo vermelho de seda. Ela adentra e assume o centro do palco. Demonstra segurança e firmeza no tom grave para as canções que exigem um maior esforço vocal, como “Âmbar” (Adriana Calcanhoto) e “Lama” (Aylce Chaves e Paulo Marques). Surpreende ao recitar “Olho de Lince” (Jards Macalé e Waly Salomão), com o discurso forte que sua verve de atriz lhe confere: “Quem fala que eu sou esquisita hermética/ É porque não dou sopa estou sempre elétrica/ Nada que se aproxima nada me é estranho/ Fulano sicrano beltrano (…)”/

Ao final, com “Gema”, Camila se solta num gingado final inebriante.

Chico César foi aplaudido vigorosamente. Tinha confessado de forma sincera como se sentiu ao ter composições de sua autoria gravadas por Bethânia. São elas “Onde Estará o Meu Amor” e “Estado de Poesia”. Coube ainda a ele a porção mais Nordeste do setlist, com “Lamento Sertanejo” (Dominguinhos) e um medley de “Último Pau-de-Arara” (Venâncio / Corumba / Palmeira Guimarães) e “Pau-de-Arara” (Luiz Gonzaga / Guio de Moraes).

Todo o casting de intérpretes dá um brinde ao público ao se reunirem em “Maria”. E estão todos prontos para a hora mais esperada da noite.

A entrada de Maria Bethânia não foi menos do que um momento mágico. Sua voz arrebatadora chegou antes dela, com a indefectível “Carcará” (João do Vale e José Cândido) sendo já cantada desde os bastidores. O sucesso na sua voz desde 1965 levou o público à loucura – a partir daí ninguém mais permaneceu sentado no Araújo Vianna. Bastaram meia dúzia de canções na interpretação vibrante da diva, entre elas “Fera Ferida” (Robeto Carlos”), “Explode Coração” (Gonzaguinha), “Imbelezo eu – Vento de lá” (Roque Ferreira). E ainda teve o bis apoteótico, com todos de volta ao palco para “O que é o que é”.

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