Bosco em 40 anos de estrada

14 maio 2012,   By ,   0 Comments

 

Foto: Leonardo Aversa / O Globo

João Bosco recebe a homenagem do Prêmio da Música Brasileira justamente no ano em que comemora quatro décadas de carreira. E, em entrevista ao jornal O Globo, ele falou sobre este marco ao comentar o lançamento do CD e DVD “40 anos depois”.

E, ao falar do trabalho, fresquinho e cheio de participações – como a de Milton Nascimento, Chico Buarque, João Donato – ele perpassou fases da carreira lembrando músicas emblemáticas. Como ‘Agnus Sei’, sua canção de estreia – parceria com Aldir Blanc, lançada no “Pasquim” em 1972.”É de Minas que vem meu lado de melancolia, de densidade, mais barroco. Isso está em ‘Agnus sei'”.

Ou a chegada ao Rio de Janeiro: “Em ‘De frente pro crime’, Aldir me apresenta o Rio, e eu mostro a ele como um mineiro vê aquilo”. O encontro com a cidade, para João, é definitivo em sua música: “É outra ambientação, outro dia a dia, diferente de Minas. A melancolia mineira somada à descontração carioca é que vai formando esse mosaico da minha música. É a densidade, mas também a síncope, a alegria do samba, o suor da africanidade”.

João também regravou ‘Caça à raposa’. Sobre a canção, ele conta: “Quando Elis gravou, ela me disse: ‘Hoje gravei uma música que me estimula a ir para a frente.’ Só mais tarde entendi. É uma música que fala de recomeçar todo dia. Como as epidemias, a lua, as paixões, o fogo. É preciso recomeçar quando se apaixona e quando se queima. Na segunda parte, ela dá o impulso de que Elis fala. E quando chega na parte mais alta, lá em cima, recomeça-se, com o que você precisa lá embaixo. Quando canto “Caça à raposa”, fico mais seguro’.

Longe de ser saudosista. João traz novas canções, e já cheias de história. É o caso de “Bom Tempo”, de Chico Buarque. “Meu pai era tricolor, sou o primeiro filho homem depois de uma sequência de cinco mulheres. Lembro dele ouvindo jogos no rádio. E, obviamente, esperava que eu fosse tricolor. E acabei virando Flamengo por causa do Dida, que tinha um topete como o do Elvis. Eu achava que Elvis jogava no Flamengo! Um dia, jovem, fui num show aberto de Chico e ele cantou “Bom tempo” (“Satisfeito, a alegria batendo no peito/ O radinho contando direito/ A vitória do meu tricolor”). Pensei: ‘É o filho que meu pai queria ter, um dia vou cantar essa para meu pai ficar mais feliz'”.

João também elegeu dez músicas representativas da sua carreira. No vídeo que você assiste aqui ele comenta a importância de ‘Agnus Sei’, ‘De frente pro crime’, ‘Ronco da cuíca’, ‘Bijuteria’, ‘Linha de passe’, ‘A nível de’, ‘Desenho de giz’, ‘Odilê Odilá’, ‘O bêbado e o equilibrista’ e ‘Papel machê’.

Para ler a matéria completa, clique aqui!