A Cajuína Cristalina em Teresina! De Caetano para Torquatto Neto.

15 Março 2016,   By ,   0 Comments

“Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina”

(“Cajuína” – Caetano Veloso)

A letra é curta e o assunto que permeia as palavras ditas nela está mais interligado à música brasileira do que muitos poderiam imaginar. Torquato Neto, grande letrista do Tropicalismo, como o próprio amigo Caetano Veloso conta, se suicidara. “A gente ficou abalado, triste, mas eu não chorei no dia”, lembra o autor de Cajuína, em entrevista ao jornalista Serginho Groisman.

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Anos depois, o músico fazia turnê em Teresina, quando encontrou com o pai do antigo parceiro. Na casa, conforme relata, fotos por todos os lados motivaram Caetano ao choro que não havia saído à época da morte. “Ficamos os dois sozinhos, ele me consolando. Ele pegou na geladeira uma cajuína, botou em dois copos e não falamos nada. Ficamos os dois chorando. Ele foi no jardim, colheu uma rosa menina e me trouxe. E cada coisa que ele fazia eu chorava”, recorda.

A turnê seguiu e, ao tomar fôlego no hotel, já em outra cidade, escreveu a canção.

(Fonte: Globoplay)