Há 74 anos, morria Noel Rosa. Mas sua poesia continua viva

No dia 04 de maio de 1937 o Brasil perdeu precocemente um dos seus maiores compositores. Noel Rosa morreu aos 26 anos, mas deixou centenas de composições que são reverenciadas até hoje. Músicas como “Último Desejo”, “Dama do Cabaré” e “Com que Roupa” foram gravadas por grandes nomes da MPB.

Há muitas versões sobre sua morte. Os jornais da época noticiaram que o Poetinha da Vila morreu de ataque cardíaco. E a manchete do jornal “A Noite”, publicada no dia seguinte à morte do compositor, revela a comoção pela perda: “Morreu Noel Rosa. A cidade chora, nesta noticia, o desaparecimento do expoente máximo do sambista carioca”.

Você pode conhecer um pouco mais sobre a história de Noel na página dos Homenageados. E abaixo, assista ao único registro em vídeo de Noel, cantando com o Bando de Tangarás.

 

 

Noel Rosa e Ismael Silva: obra que ultrapassa o tempo

Noel Rosa teve grandes parceiros em sua curta carreira. E a homenagem concedida ao compositor no Prêmio da Música Brasileira é uma forma de também prestigiar estes músicos. Entre os parceiros de Noel estiveram Almirante e Braguinha, companheiros do Bando de Tangarás, Lamartine Babo, Orestes Barbosa, Francisco Alves e Ismael Silva.

Junto com Noel, Ismael compôs sambas que entraram para nossa historia. Entre eles estão “Para me livrar do mal”, “Não tem tradução”, “Ando cismado”, “Uma jura que fiz”, “Adeus” – uma canção gravada em homenagem a Nilton Batista, que morrera em 1931.

Os dois se conheceram na década de 30. Numa entrevista em 1969, Ismael revelou que quase todas as canções com Noel eram compostas juntas, tanto letra quanto melodia. Exceto uma, que ele conta a história: “Nós tínhamos um ponto, um bar onde nos encontrávamos. Quem chegava primeiro esperava o outro. O trio Francisco Alves, Noel Rosa e Ismael Silva. Quando eu cheguei numa certa tarde, eles já estavam. A primeira coisa que falei foi sobre um samba que eu ia fazendo pelo caminho, que já tinha o estribilho pronto. Apresentei, e quando acabei de cantar o estribilho, o Noel pediu-me dessa maneira assim: ‘Ismael, deixa eu fazer a segunda parte’? E fez ‘Quem não quer sou eu'”

Mesmo depois da morte prematura de Noel, Ismael continuou reverenciando o amigo. Em 1966, gravou com Aracy de Almeida – também próxima a Noel Rosa – o disco “O samba pede passagem”, com várias canções em homenagem ao poeta da Vila.

A obra da dupla é celebrada até hoje. A seguir, você confere “Não tem tradução” executada pela Orquestra Imperial:

Marcio Juliano: a atualidade da obra de Noel

Na lista de pré-selecionados ao Prêmio da Música Brasileira está um  disco com músicas de Noel Rosa.  “Noël” nasceu como um musical, e se transformou num disco de releituras de canções do poeta da Vila. Confira a seguir o bate-papo com o ator e cantor curitibano Marcio Juliano, idealizador do projeto.