O pensador do Samba

21 outubro 2013,   By ,   0 Comments

Um dos maiores artistas e intelectuais do Samba, Nei Braz Lopes, ou simplesmente Nei Lopes, é compositor, cantor e escritor.Sambista do grupo de elite gênero, Nei falou ao site do Prêmio da Música sobre sua satisfação em ver o Samba como homenageado da 25ª Edição da premiação.

O pesquisador está escrevendo um livro sobre a história do Samba junto com o jornalista Luiz Antonio Simas e acredita que esta é a oportunidade de todo brasileiro entender que o Samba é mais que um ritmo, é o símbolo nacional da identidade musical brasileira, afirma.

Leia a entrevista completa.

PMB – Essa é a primeira vez que um gênero musical é escolhido para ser homenageado. Como o senhor vê a escolha do Samba como homenageado da próxima edição da premiação?
Nei Lopes – Vejo como um atestado da competência e da sensibilidade dos organizadores da premiação, especialmente do Zé Maurício Machline. Abre-se assim a possibilidade de o grande público perceber que o samba não é apenas uma “música de carnaval”, restrita ao gueto espaço-temporal do mês de fevereiro e dos sambódromos. Trata-se do reconhecimento à hegemonia deste que é, sem favor algum, o símbolo nacional da identidade musical brasileira.

PMB – Qual é a importância do Samba para o Brasil, para nossa cultura?
Nei Lopes – Assim como outras músicas de base africana surgidas nas Américas, o samba desenvolveu-se como música popular em condições bastante adversas. Para esse desenvolvimento, seus criadores e formatadores desenvolveram, em torno do que antes era apenas dança, todo um complexo cultural. No Brasil, isso não aconteceu com nenhuma música de outra procedência: nem com a polca, o xote, a mazurca; e muito menos o rock. Nenhuma delas criou (sem o apoio de forças externas) estruturas, formas e normas, inclusive comportamentais, como o samba; daí, sua importância.

PMB – Fale um pouco sobre o livro que o senhor está escrevendo com Luiz Antonio Simas.
Nei Lopes – Ao longo do tempo, de décadas de prática dentro do mundo do samba e de reflexões teóricas sobre esse universo, resolvi produzir um livro sobre a História Social dessa cultura. Fui organizando informações, e a partir de experiências anteriores (“Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana”, 2004; “Dicionário da Antiguidade Africana”, 2011; “Novo Dicionário Banto do Brasil” (2003-2012), optei por enfeixar esse conteúdo em um dicionário. Chamei para me ajudar o amigo Luiz Antonio Simas que, além de ser um especialista em samba é professor de História. A obra contempla verbetes sobre assuntos nada ortodoxos, como, por exemplo, Indústria Fonográfica, Televisão, Jogo Do Bicho, Culinária, Entidades Gestoras, Relações Etnorraciais, Crianças (Participação); Estado Novo, Ditadura De 1964…Enfim, sobre tudo o que diz respeito, direta ou indiretamente ao samba e à má interpretação de seu significado por parte de certos setores. Não é um livro acadêmico, mas também não é um livro de entretenimento “pop”,   feito dentro dos padrões estabelecidos pela sociedade de consumo.

 Saiba mais sobre a história do Samba no Brasil.