Jobim, o arquiteto da música

26 dezembro 2012,   By ,   0 Comments

Quando criança, Tom queria ser engenheiro ou médico. Mas quando chegou a hora da escolha, nos anos 40, acabou indo para a faculdade de arquitetura. Era canhoto e tinha jeito pra desenhar.  “Cheguei a cursar o primeiro ano. Porém a música era para mim um apelo irresistível, e descobri que os meus ‘castelos’ jamais seriam construídos com cimento e tijolos”, disse ele em entrevista à Tribuna da Imprensa, em 1957. O piano, até então um hobby, foi se tornando fundamental. Tom era – como escreveu Edu Lobo – um arquiteto da música: “o de traço mais amplo e perfeito. Dele surgem projetos sólidos, feitos para abrigar o coração do mundo”.

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Imagem: reprodução do Instituto Tom Jobim


Ainda na faculdade, Tom leu um livro que ajudou a cimentar sua escolha: “A‘História da Música’, de Mario de Andrade, como ele contou em entrevista para o livro “3 Antônios e 1 Jobim” (1993). “O Mario de Andrade era musicólogo, e professor de piano, compunha e tudo o mais. Nesse livro, ele dá conselhos ao jovem compositor brasileiro. Ele diz o seguinte: ‘Se você não tiver talento, faça música brasileira. Se você tiver algum talento, faça música brasileira. E se você for um gênio, faça música brasileira.’ Porque nós precisamos de música brasileira”.

Tom foi estudar piano a sério com Dona Lúcia Branco e com o espanhol Tomas Teran, que era muito amigo de Villa-Lobos a quem Tom Jobim tinha profunda admiração. Mas a arquitetura continuou na sua vida, só que em forma de letra de música. Um de seus clássicos, “Águas de Março”, foi composto durante a reforma de sua casa em Poço Fundo em 1972.  Enquanto cuidava da obra – a imagem acima é uma rascunho da obra creditado ao próprio Tom – a melodia e a letra surgiram em sua cabeça: “É pau, é pedra, é o fim do caminho (…) É o projeto da casa (…) É peroba do campo (…) é o nó da madeira (…) É o tijolo chegando…”