“Uma lente de aumento sobre os tipos, sobre os estereótipos”

18 abril 2011,   By ,   0 Comments

Confira a seguir o bate-papo com o músico Mu Chebabi, que está entre os pré-selecionados ao Prêmio da Música Brasileira com o disco “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. Escute também “A Beth está chegando”, faixa do disco feita em parceria com Mano Melo.

A importância de estar entre os pré-selecionados

“Um amplificador. É a oportunidade de colocar uma luz sobre a crônica que eu faço. É uma oportunidade de falar para mais pessoas, e ajudar a colocar pra circular meu repertório, autoral, que tem uma linguagem original e pop. Tenho estado circulando na grande arena da internet, na finalidade de amplificar o meu trabalho. O Prêmio de Música ajuda muito a dar mais visibilidade e prestígio a minha produção”.

“Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”

“Foi uma seleção natural. Fui buscando o ponto, mostrando para os amigos e pedindo sugestões. Tem canções que são bacanas, mas quando são gravadas não acontecem. E vice versa. Tem a conta do álbum. Quantas e quais músicas. De 16 músicas, sobraram 11. Cinco caíram. Muitas vezes uma música derruba a outra. Sacrifica-se uma para que a outra exista plenamente. Pensando no tempo de atenção das pessoas.

É uma leitura, feita por um carioca da gema. O cenário é Copacabana. ‘Por 1,99’, uma canção praieira, que fala de amor usando a pirataria como metáfora. O Gringo, que conta a história de um alemão que veio morar no Brasil e ficou mais malandro que a malandragem. ‘A Beth Está Chegando’ em parceria com Mano Melo, que fala de uma dessas malucas que aparecem na vida da gente e a gente não troca por nada.

É uma lente de aumento sobre os tipos, sobre os estereótipos. O uso torto dos clichês. O humor flutuante da classe média. Uma crônica da minha cidade, do meu bairro, da minha rua. Zona Sul do Rio de Janeiro.

Por que o disco deve estar entre os finalistas

“Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa” é um álbum que fala do que eu conheço, do que eu vejo. Nunca, em hora nenhuma, tentei apontar caminhos, dar toques ou mesmo consertar o mundo. Seria um desserviço à humanidade. Não sou talhado pra isso. Meu serviço é olhar o mundo e depois inventar histórias com esses personagens.

O Prêmio da Música seria (e já está sendo de alguma forma) uma resposta à música que eu tenho feito todos esses anos. Uma resposta aos parceiros, ao meu investimento, uma resposta às noites arredondando palavras, mirabolando frases, experimentando notas, procurando roteiros. Às 1.000 rimas que foram para o céu das palavras e às 99 tentativas ruins por 1 boa canção.

O cenário independente

“Incentivo à criação. A poesia tem que andar. A música tem que ser experimentada. O público tem que ser testado pelas músicas. Tem que ter uns doidos no andar de cima, comprando o barulho dos doidos do andar de baixo. Tem que se entender que existem novos públicos, de novas músicas, e de novos costumes.

Os custos das produções têm que ser compatíveis com realidade que a internet está nos apresentando. Me parece que boas ideias têm que ser baratas também no mercado em que vivemos. Não existe mágica. A música independente procura um modelo de negócio que feche uma conta justa para as partes. Por hora, vender na internet a música, o CD físico, criar produtos que divulguem o artista e a banda, tudo isso junto pode ser um paliativo para esse nosso longo inverno, até que os tracks tenham um chassi que garanta os autores, os intérpretes e os produtores fonográficos”.

Uma música de Noel Rosa

“Fita Amarela. Pelo fato de não se saber aonde começa o humor e aonde acaba a tragédia enquanto a música tem uma tristeza discreta, propõe uma bagunça”.