Dia de Sapoti

13 Maio 2014,   By ,   0 Comments

Abelim é um nome incomum. Difícil imaginar que não chamaria a atenção da família quando anunciado em uma rádio popular. Foi por isso que a jovem aspirante a cantora adotou um pseudônimo ao tentar a sorte pela primeira vez – escondida dos pais – em um programa de calouros.

Sua voz agradou, ela passou a ser premiada em diversos concursos e aí não teve jeito: os pais, quando descobriram tudo, tiveram de aceitar a escolha da filha. Difícil, hoje, é imaginar que alguém não a conheça pelo nome que adotou: Ângela Maria.

Grande dama do samba-canção, ela completa, neste 13 de maio, 85 anos. Enfrentou e venceu todas as adversidades que a vida lhe impôs e tornou-se uma das artistas mais celebradas deste país. Elis Regina, por exemplo, começou a carreira imitando Ângela, que recebeu do então presidente da República Getúlio Vargas o apelido de Sapoti – “Você tem a voz doce e a cor do sapoti”, ele teria dito, comparando-a com a saborosa fruta encontrada, principalmente, no Norte e no Nordeste.

Aclamada pela gente humilde brasileira, Ângela vendeu discos como poucos neste país. Ela mesma disse, certa vez: “Não canto pra bacana. Quem compra disco é o povo”. E foram seu talento e sua popularidade que a conduziram à merecida homenagem que o Prêmio da Música Brasileira lhe fez em 1993, em um tributo a dois ao lado de seu melhor amigo, o também extraordinário Cauby Peixoto. E este ano ela concorre a dois prêmios na categoria Canção Popular: Melhor Cantora e Melhor Álbum (junto com Cauby, mais uma vez).

Ângela é dessas vozes raras. Tão rara como seu nome de batismo. Mas foi perfeita ao escolher o nome artístico: Maria. Essencialmente popular.