Preconceito

30 abril 2014,   By ,   0 Comments

Em pleno século 21, quem diria, as páginas esportivas andam recheadas de notícias sobre ofensas raciais em estádios de futebol pelo mundo afora. Estamos andando para trás?

Os artistas do samba, homenageado do Prêmio da Música Brasileira deste ano, também enfrentaram a barreira da intolerância e da estupidez há cerca de cem anos, quando este gênero musical ainda engatinhava. Parte da sociedade simplesmente virava a cara para essa manifestação cultural típica de negros e pobres.

“Madame diz que a raça não melhora, que a vida piora por causa do samba. Madame diz que o samba tem cachaça, mistura de raça, mistura de cor. Madame diz que o samba, democrata, é música barata sem nenhum valor”. São versos de “Pra que discutir com Madame”, de Janet de Almeida e Haroldo Barbosa, e não dão margem a qualquer dúvida sobre um certo pensamento da época.

Estávamos, então, já na década de 1940, mesma época de um outro clássico, este assinado por Wilson Batista e Marino Pinto, chamado “Preconceito”, que um sujeito negro e pobre se queixa a uma moça branca e rica que, aparentemente, não quer assumir o namoro. Sem abrirem mão da leveza e até mesmo do bom humor, os autores dizem que “seu pretinho lhe faz tanto carinho e no fundo é um bom rapaz”.

São crônicas de uma época que já vai longe, mais de 70 anos. Mas é incrível – e lamentável – que o tema ainda continue moderno.