Zélia Duncan: versatilidade em forma de artista

05 maio 2016,   By ,   0 Comments

(Prêmio da Música Brasileira)

“Com que roupa, com que roupa eu vou pro prêmio que você me convidou”, brincava Zélia Duncan, em entrevista ao Prêmio, no ano Noel Rosa. Zélia tem papel de grande importância, porém um tanto indefinido – no melhor sentido que a palavra puder ter – para a organização do PMB, tamanha sua versatilidade e habilidade de fazer tudo. Indicada, premiada, apresentadora, roteirista, Zélia faz parte desses 27 anos de história.

Na vida, não é diferente, também desempenha um leque de funções. Atua, compõe, escreve, corre, toca, viaja. Interpreta Luiz Tatit nos palcos, também neles, já recitou poemas de Mário de Andrade. Tudo com a mesma naturalidade que canta MPB ou samba ou uma canção de Itamar Assunção, Milton Nascimento, Maria Bethânia e o que for para cantar.

Parece que, do seu jeito, gosta criar e, assim, vai conquistando as pessoas por onde passa e, ainda, fazendo das afinidades, belas parcerias. Passa aquela certeza de que vai fazer tudo antes do mundo acabar.

Atualmente, está em turnê em projeto próprio, “Tô Tatiando”, e no show de seu último CD, lançado em 2015, Antes do mundo acabar. Sem deixar de lado outros tantos projetos dos quais faz parte.

“Comigo tudo é assim, ao mesmo tempo”, disse em entrevista exclusiva ao PMB. Confira um pouco mais da nossa conversa:

– Você é mais do que uma cantora, é uma artista completa que, vira e mexe, se arrisca em projetos exercendo funções variadas. O que te move a isso?

Meu temperamento, minha curiosidade, meu desejo de não me sentir a mesma!


– Também no PMB, você já cantou, apresentou, fez roteiro. Como começou seu envolvimento com ele? Você já tinha escrito roteiros desse tipo anteriormente?

Desde que gravei meu primeiro disco, fui indicada como revelação, mas demorei muito a ganhar mesmo um, porém, comecei a comparecer às cerimônias e fui chamada pelo Zé [José Mauricio Machline] para cantar no prêmio que homenageou Milton Nascimento, em 1996, foi muito marcante pra mim.

O roteiro foi uma aventura proposta por Zé Maurício, uns anos depois, e devo a ele essa fase diferente da minha vida, de escrever pra valer. Sempre gostei, sempre escrevi prefácio de livros, releases, essas coisas.


– No ano passado, especificamente, você fez parte da turnê e, posteriormente, se apresentou com Mariene de Castro por aí. Queria que você fizesse um balanço desse trabalho com esses novos frutos do PMB.

Mariene é uma cantora experiente, dona de seu canto, presença definitiva no samba e na MPB. Esse trabalho é lindo e espero que continuemos com ele. Zé – de novo ele – fez um belo roteiro.

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Ao lado de Mariene de Castro, Zélia fez parte de um projeto inédito para o PMB, uma turnê de samba que passou por Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo (Foto: Nany Mata)


– Falando sobre samba, sua relação com o estilo vem de antes dessas apresentações, já tinha gravado DVD no estilo com Simone, por exemplo. Você lembra quando e como foi que começou dar os primeiros passos dentro desse ritmo?

Simone não é sambista, embora arrase cantando sambas! Simone é uma cantora de MPB completa! O samba, desde sempre, desde criança em casa, foi um gênero que me fez feliz e esteve perto de mim.


– Gonzaguinha, da luta e das letras românticas, é o homenageado do ano. O que você destacaria na trajetória dele?

Originalidade e falta de pudor pra se jogar nos temas. Era um compositor rasgado, lindo.


– O PMB vem em uma longa estrada, são 27 edições. Você esteve em várias delas, que tal relembrar um momento que lhe emocionou muito?

Como cantora, cantar “San Vicente”, de Milton Nascimento e, recentemente, “Rosa dos Ventos”, de Maria Bethânia. Como roteirista, o ano do samba foi especial, porque Gil falou o texto de abertura e ano passado, Juca de Oliveira. São prazeres fortes e diferentes. Me sinto vitoriosa nesses momentos, graças à confiança que Zé Maurício depositou em mim.

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Zélia revela que interpretar Bethânia, na 26ª edição do PMB, foi um dos momentos mais emocionantes (Foto: Fernando Maia/UOL)


– O que, a seu ver, o PMB representa no cenário cultural brasileiro?

Um documento fundamental e sério, que se aprofunda na tentativa insana de dar visibilidade e valor ao que tem sido feito musicalmente no Brasil.

– Mais uma vez, você está envolvida na equipe responsável pelo PMB. Diz pra gente o que você está preparando para esta edição.

Nem morta!